Primavera uma pintura na natureza Espécie em Foco, por Carlos Tramujas

 

De colorido exuberante, crescimento inicial rápido e fácil de modelar, a bougainvillea encanta bonsaistas com naturalidade.

 

Bougainvillea pertence à família das Nyctaginaceae e é originária principalmente do Brasil tropical, tendo como principais zonas de ocorrências Bahia, Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso do Sul até Santa Catarina, sendo muito freqüente nas florestas de encosta da mata atlântica. Possui diversos nomes populares, que variam conforme as regiões de ocorrência, como três marias e primavera, por exemplo.

São conhecidas aproximadamente doze espécies. Na natureza, é uma árvore espinhenta, que chega a atingir de 10 a 20 metros de altura, com o tronco atingindo 80cm de diâmetro, e seus brotos de crescimento primaveril chegando a 4m de comprimento.

Devido a este crescimento acentuado dos ramos é que hoje a bougainvillea é muito utilizada em jardins como uma planta trepadeira. De fato, com o passar do tempo formam caramanchões muito bonitos e densos.

Possui folhas membranáceas verde brilhantes, delicadas e com pequenos pêlos, podendo se apresentar em formas e tamanhos diversos. As flores, surgidas na primavera e no verão, por si só são insignificantes.

 

O que realmente impressiona no visual da espécie são as três brácteas - folhas modificadas - de cor branca, lilás ou violeta que protegem as flores, formando verdadeiras cascatas coloridas.

Possuem crescimento inicialmente rápido, sofrendo uma diminuição quando cultivadas em vasos.

 

A primavera é relativamente fácil de se conduzir como bonsai já que seus jovens galhos permitem a modelagem e a planta responde muito bem às podas, formando uma ramificação muito boa num período de tempo bastante curto. Necessita de muita luz, suportando bem o sol direto.

É uma planta para ser cultivada em ambientes externos, principalmente se desejarmos uma floração intensa na primavera e verão.

No inverno, deve ser mantida numa temperatura não inferior a 12°C, e protegida principalmente de geadas fortes, o que poderia ocasionar a perda de ramos mais finos e até mesmo de galhos. Em regiões com inverno mais rigoroso costuma perder todas as folhas, fato que facilita muito as podas de correção e a estruturação da planta em formação.

 

É característica das bougainvilleas possuir uma madeira leve, mole e com grande tendência ao apodrecimento.

Em muitos casos isto pode se tomar um elemento extremamente atrativo para o bonsai, mas se não for tratado com o devido cuidado pode em poucos anos representar a deterioração completa de um grande, velho e bonito tronco.

Por este motivo há a necessidade de, nas podas radicais (galhos mais grossos) de estruturação, utilizar sempre algum tipo de pasta cicatrizante ou impermeabilizante para evitar a entrada de água e conseqüentemente fungos e bactérias, que são os principais agentes que atuam na deterioração da madeira. Outra técnica utilizada para qualquer outro tipo de poda radical é o corte em bisei ou inclinado, para evitar a parada da água e dificultar sua penetração nas áreas cortadas.

 

REGAS:

As primaveras têm uma necessidade grande de água. Suas regas devem ser freqüentes, porém não demasiadamente abundantes, pois quando regadas em excesso ou quando permanecem com o solo por muito tempo encharcado podem perder as folhas e absorver menos água ainda, podendo favorecer o apodrecimento das raízes. O mesmo ocorre no inverno, quando a planta está absorvendo muito pouca água. As regas devem ser reduzidas ao mínimo, deixando-se muitas vezes murchar as folhas entre uma rega e outra. Este tipo de rega no inverno favorece a formação dos botões florais, que iniciarão seu desenvolvimento na primavera. Neste momento a planta deverá receber água em abundância para um bom desenvolvimento da floração.

 

Atenção à floração:

* Durante as regas evita-se molhar as flores, para que tenham uma durabilidade maior

* Após a floração, rega-se normalmente, inclusive pulverizando a folhagem da planta

* Durante o período da floração, é muito importante que as flores sejam removidas à medida que forem ficando murchas para estimularmos o aparecimento de novas flores.

 

PODAS:

Após o término da floração, deve-se fazer uma poda vigorosa de estruturação até a madeira velha dos galhos e quando os novos brotos começarem a aparecer. Deixe crescer de seis a oito folhas e comece a pinçar regularmente as brotações, mantendo apenas duas a três folhas. Este processo deverá ser feito até mais ou menos o final do verão ou até que se consiga um resultado satisfatório relacionado à estruturação e à ramificação da planta. Neste momento pode-se aramar as ramas lignificadas, deixando o arame de três a cinco meses, ou até começar a marcar a casca dos galhos quando deverão ser retirados.

 

ADUBAÇÃO:

A adubação é sem dúvida um dos fatores mais importantes para uma boa floração e um bom desenvolvimento da planta. Devemos adubar aproximadamente a cada quinze dias, desde o início da primavera até o final verão, com adubo líquido para bonsai ou adubo orgânico à base de farinha de osso (50%) e torta de mamona (50%), sendo o adubo orgânico recomendado inclusive para aplicação durante o período de floração. Evite sempre as adubações durante o inverno, recomeçando novamente quando surgirem os primeiros botões florais. No outono, pode-se utilizar também um fertilizante orgânico de decomposição lenta.

 

TRANSPLANTE:

A cada dois anos poderemos realizar o transplante, no final do inverno ou no início da primavera, cortando pelo menos a metade das raízes. A limpeza deve ser feita com cautela, pois são frágeis e quebradiças. Com um hashi (vareta de bambu), é possível desembaraçarmos as raízes delicadamente, retirando a terra velha existente entre elas. Após esta limpeza, cortamos aproximadamente 50% das raízes existentes no terrão.

 

Depois do plantio, quando também será utilizado o hashi para recolocarmos a terra nova, deveremos ter cuidados especiais com a rega, molhando uma primeira vez com intensidade até que a água saia pelos orifícios de drenagem do vaso. As regas seguintes são feitas somente quando a superfície do vaso estiver levemente seca. O solo não pode permanecer encharcado neste momento, pois poderia causar o apodrecimento das raízes.

A escolha de um vaso profundo com grandes orifícios de drenagem, preenchido com uma camada de cascalho e uma de areia grossa, associado ao uso de uma terra orgânica misturada com pedriscos e que promovam uma boa drenagem, seria uma garantia de sucesso para o cultivo das tão conhecidas primaveras.

 

PRAGAS E DOENÇAS:

 

Pode haver incidência de pulgões e cochonilhas, que são pragas de fácil tratamento e comuns também a outras plantas. Há ainda a clorose, uma doença mais significativa caracterizada por uma deficiência nutricional que acarreta a perda e amarelecimento progressivo das folhas, iniciando-se a partir das suas nervuras. As novas folhas começam a surgir pequenas e descoloridas. Neste caso devemos utilizar uma solução com ferro, nitrogênio, magnésio e zinco, que podem ser aplicados através de doses equilibradas de adubos que possuam em suas formulações os nutrientes e principalmente os micronutrientes necessários para uma recuperação gradativa da planta.

 

Fonte: Revista Universo do Bonsai

Próxima Dica